Como lidar com o ciúmes do irmãozinho mais velho com o bebê que irá chegar?

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Como lidar com o ciúmes do irmãozinho mais velho com o bebê que irá chegar? Por Daniela Rita de Souza, psicóloga.

A chegada de um novo filho na família precisa ser vista como um momento de ajustamento, que pode ter implicações emocionais tanto para o filho mais velho quanto para os pais. Essa fase de transição acarreta consequências diretas na interação pai-mãe-criança, sobretudo, na rotina de cuidados que a mãe destina aos filhos, bem como no desenvolvimento cognitivo e sócio emocional infantil. As mudanças decorrentes do nascimento do segundo (ou terceiro…) filho podem sofrer ajustes de maneiras distintas, antes, durante e depois da chegada deste, e estão relacionadas à interação de diferentes fatores: à harmonia conjugal, ao nível socioeconômico familiar, bem como ao apoio parental que o filho mais velho vivencia já antes do nascimento do irmão.

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No entanto, mesmo toda essa estrutura familiar estando bem envolvida, não podemos esquecer de como estará a cabecinha e as emoções da criança que pensa que o amor de seus pais é só dela. Mas como lidar com o ciúmes do irmãozinho mais velho com o bebê que irá chegar?

De um modo geral após o nascimento de um, irmão o que pode vir a acontecer com esse primogênito é:

  • Aumento nos comportamentos de confrontação e de agressão com a mãe e com o bebê;
  • Problemas no sono, nos hábitos de alimentação e de higiene;
  • Aumento nos comportamentos de dependência (querer ir no banheiro só acompanhado, querer comida na boca, pedir para ajudar na hora de se vestir);
  • Demanda de atenção e regressão (voltar a chupar bico ou dedo, voltar a fazer xixi nas calças, se comportar como um bebê, ter uma fala mais infantilizada).

Ou o contrário total, como:

  • Querer se afastar dos cuidados dos pais, aumentar os comportamentos de independência e de domínio de tarefas, enfim, querer se virar sozinhos.

O fato é que é muito difícil existir um modo de evitar o estresse de uma criança quando da chegada de um irmão. Porém o envolvimento nas atividades de preparação durante a gestação e a hospitalização materna, somado à participação nas tarefas de cuidado com o bebê e a preservação das rotinas diárias, podem facilitar o ajustamento e minimizar as reações emocionais do primogênito.

Como lidar com o ciúmesAs mães no período pós-parto costumam empregar diferentes métodos para promover a maturidade desse irmão, encorajando-o a perceber-se como mais velho e irmão maior. Porém é questionável em que medida é possível promover a maturidade desse irmão, uma vez que se acredita ser o desenvolvimento rumo à independência um processo que dependeria do próprio ritmo da criança. Pode-se questionar, inclusive, se tal intervenção materna não poderia conduzir a uma pseudo maturidade, o que pode vir a ser um “tiro no pé”.

É importante saber que a habilidade de uma criança pequena para lidar com o estresse é parcialmente falha, e sua autoestima é muito vulnerável, em função de estar em processo inicial de desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Sendo assim, diante de qualquer evento estressor – como o nascimento de um irmão, por exemplo -, a segurança de qualquer criança pode vacilar, tornando-se fundamental o apoio e o cuidado parental. Nesse mesmo sentido é esperado e precisa ser compreendido algum comportamento regressivo ou dependente na chegada de um irmão, o que significa a lembrança de cuidados prestados pelos pais e utilizado como estratégia para resgatar suas atenções.

O segundo filho chega com os pais sabendo um monte de coisas, mas tendo que cuidar de outras que ainda não sabem. É preciso entender a sutileza dessa nova relação e da entrada de mais um membro na família, da articulação de todos esses novos sentimentos que aparecem. A criança, quando sente que tem seu lugar legitimado, na chegada de um segundo filho consegue entender que o amor continua o mesmo. O medo do filho mais velho é de perder o amor, porque para uma criança o amor está muito atrelado à atenção.

O ideal é fugir das comparações, de esperar que tudo seja perfeito e alimentar a colaboração e o sentimento de pertencimento entre os irmãos. E não esqueçam que os pequenos mais velhos ainda podem ser muito pequenos para aprenderem que já estão grandinhos. Cuide de seus filhos com o respeito e a condição que suas fases de desenvolvimento permitem.

Tema sugerido pela mamãe Manami Iseki 🙂

DanielaRitaDaniela Rita de Souza
Psicóloga – CRP: 03/10945
Olhar de Criança

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