Depressão pós-parto e o vínculo mãe-bebê

depressão pós-parto

Depressão pós-parto, por Daniela Rita de Souza, psicóloga.

A depressão pós-parto é uma condição que afeta 10% a 15% das mulheres. Este quadro tem seu início em algum momento durante o primeiro ano do pós-parto, havendo maior incidência entre a quarta e oitava semana após o parto. Geralmente se manifesta por um conjunto de sintomas como irritabilidade, choro frequente, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de energia e motivação, desinteresse sexual, transtornos alimentares e do sono, ansiedade, sentimentos de incapacidade de lidar com novas solicitações, entre outros.

Durante a gestação e o pós parto, a mulher passa por uma série de mudanças físicas, psicológicas e sociais que transformam toda sua vida. A forma como ela enfrenta essas mudanças faz toda diferença em sua adaptação e estabelecimento de um bom vínculo com a criança que irá nascer.

Em termos práticos na depressão pós-parto, podemos falar que percebe-se principalmente que o olhar da mãe para o bebê é vazio e ela tem muita dificuldade em tocá-lo e acariciá-lo, o que pode prejudicar além dos cuidados mais básicos, o fortalecimento e estabelecimento do vínculo materno tão importante para o desenvolvimento tanto físico quanto emocional da criança durante todo seu desenvolvimento.

Nesse tipo de depressão não há o reconhecimento do filho pela mãe, ele não lhe faz parte, não lhe diz respeito. E em um processo que poderíamos chamar de regressão, a mãe pode não só lhe retirar todo o investimento emocional do filho, como também do marido, do trabalho e de tudo que a cerca. E o resultado é que ela se incapacita para as funções mais simples como a amamentação e cuidados com a troca, banho e choros do bebê. Diversos fatores estão associados às causas da depressão pós-parto sendo predominantemente fatores relacionados ao bebê, como prematuridade, intercorrências neonatais e malformações congênitas; fatores socioculturais, como morte de familiares, decepções na vida pessoal ou profissional, retomada de atividade profissional e situação social de solidão; fatores físicos da mãe, como modificações hormonais; além de fatores de antecedentes psicopatológico. Paralelamente a isso também podem ser fatores de risco a baixa autoestima, problemas na situação conjugal e socioeconômica, além de gravidez não planejada ou não desejada.

É importante a mulher e seus familiares estarem atentos a respeito das experiências durante a gravidez e, especialmente, como a gestante está se sentindo no pós-parto, bem como se ela conta com uma rede de apoio social que dê sustentação às mudanças psíquicas vividas com o nascimento de um bebê. O reconhecimento do estado depressivo da mãe é fundamental e, às vezes, difícil em razão das queixas psicossomáticas que podem sugerir somente problemas orgânicos. É necessário que esta experiência, vivida subjetivamente pela mulher, possa ser detectada o quanto antes para ajudá-la no processo de reconstrução e reestruturação psíquica e emocional para a saúde dela e do seu bebê.

DanielaRitaDaniela Rita de Souza
Psicóloga – CRP: 03/10945
Olhar de Criança

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