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Gravida pode pular Carnaval? Por Larissa Aguiar, fisioterapeuta e educadora perinatal da Maternare.

Se você vai passar o Carnaval em Salvador Recife, Rio de Janeiro ou em outra cidade com tradição de Carnaval, e está grávida, é bom ler isso.

Sabemos que gravidez não é doença, e temos visto muitos posts e artigos sobre cuidados que a gestante deve tomar para curtir o Carnaval em segurança: evitar locais abafados, usar roupas frescas e confortáveis, se hidratar bastante, usar protetor solar durante o dia, não ficar em meio a aglomerações, não consumir bebidas alcoólicas ou energéticos e se alimentar bem. Existem, inclusive, cuidados específicos para cada trimestre da gestação.

Porém, quando se trata de pular carnaval grávida, existem alguns pontos para vocês pensarem:

Os camarotes oferecem conforto, segurança, alimentação, e possuem vários ambientes, permitindo que a gestante descanse ou procure locais mais frescos, caso sinta algo. Porém, o acesso a esses camarotes exige que o folião ande longas distâncias, passando por entre blocos, trios e outros foliões (muitas vezes aglomerados), entre o local de chegada (carro ou taxi) e o camarote escolhido. No trajeto, a futura mamãe está exposta a traumas, picos de calor, fadiga e até mesmo desidratação, dependendo da distância e do volume de pessoas. Esses fatores podem contribuir para um parto prematuro ou mesmo aborto, dependendo da idade gestacional. A única opção segura seria chegar antes dos blocos começarem e só ir embora no final, com o dia amanhecendo, e não tem barrigudinha que aguente esse pique, não é mesmo?

Além disso, é um grande foco do mosquito causador da Zika, doença perigosíssima para gestantes, pois pode estar associada ao aumento dos casos de bebês com microcefalia. O circuito do carnaval é o ambiente perfeito para a proliferação desse mosquito, pois envolve aglomerações, lixo e água acumulada. Por mais que se faça limpeza, sempre restam resíduos que são um berçário natural para o Aedes Aegypti. Com a recomendação do uso de roupas frescas, as gestantes estarão com as pernas e braços expostos, e mesmo o uso de repelentes só protege por tempo limitado. Será que vale à pena o risco?

Conversamos com obstetras que apontaram outros riscos também, como intoxicação alimentar e possíveis danos à audição do bebê. Mesmo com a proteção do líquido amniótico, do intestino e da parede abdominal, há estudos que apontam a possibilidade de a exposição a ruídos muito altos causar prejuízos futuros ao sistema auditivo dos pequenos!

Por isso, pense bem! Talvez este ano seja melhor fazer uma programação mais alternativa, não é mesmo? Que tal uma viagem? Programinhas em casa? Converse sempre com seu obstetra!!

 

Larissa Aguiar
Fisioterapeuta e Educadora Perinatal – CREFITO: 156.832
Espaço Maternare
www.maternare.com.br

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