Gravidez tardia

gravidez tardia

Gravidez tardia, por Dr. Luiz Eduardo Machado, médico obstetra.

Em verdade há todo um conjunto de situações que compõem o cenário. Em primeiro lugar, a emancipação da mulher, tornando-a mais participativa na vida atual. A necessidade de trabalhar para ajudar no orçamento da casa e, ao mesmo tempo, tendo que ser competitiva no ambiente de trabalho, é um dos fatores de alta responsabilidade sobre este tema.

A mulher estuda, se forma, faz pós–graduação, se casa, compra um apartamento, decora, e, por fim, resolve ter um filho. Muitas vezes, a opção é pela gravidez tardia. A mulher foi concebida para engravidar entre os 22 e 26 anos. Nesta época, a produção de ovócitos é rica e de boa qualidade e somente 5% das mulheres têm problemas de infertilidade. A cada ano, a mulher perde quantidade e qualidade de ovócitos, gerando baixa produção de folículos para a ovulação. Um embrião de oito semanas tem 6.000.000 de ovócitos, no nascimento, 1.000.000 e na puberdade, 300.000. Note que a perda de ovócitos inicia-se desde a fase embrionária e no desenvolvimento fetal. É interessante saber que, uma vez estabelecidos os ciclos menstruais, uns 80 dias antes se dá o recrutamento de uns 450 a 500 folículos primordiais e primários, e que destes, 20 a 25 chegam ao pico hormonal intercíclica (FSH).

Muitas mulheres acreditam que o uso de anticoncepcional evita esse desgaste, o que não é verdade. O anticoncepcional ou anovulatório (como é conhecido) evita a ovulação. O declive folicular é exponencial, e se dobra quando cai por baixo de um nível crítico de 25.000 ovócitos, com uma idade de 37 anos.

Essa, para mim, é a idade que serve como divisor de águas. A partir dos 37 anos, a situação fica mais crítica. Haja vista que, aos 35, os problemas de infertilidade já atingem um percentual de 33% das mulheres.

É após os 40 anos que a situação é bem pior em todos os sentidos. A partir dos 40, o risco de cromossomopatias (síndromes genéticas) já é bem elevado e a dificuldade para engravidar, logicamente, também é bem maior, sendo muitas vezes necessário recorrer aos serviços de reprodução humana assistida, aumentando a ansiedade e o custo. Acredito que a mulher terá de rever esses conceitos, buscando a maternidade logo que possível, e evitando chegar a esse desgaste emocional. Hoje, nos consultórios, a quantidade de pacientes acima dos 37 anos aumenta a cada dia, e já é três vezes maior que há 10 anos.

Toda mulher que deseja uma gravidez tardia e se estiver tendo dificuldade, deverá procurar um profissional para uma avaliação da sua real situação e, principalmente, da sua reserva ovariana e do patrimônio folicular existente. Lembramos ainda que essa gravidez deverá ter um pré-natal com bastante atenção, principalmente pelo risco de hipertensão arterial, diabetes gestacional e outros problemas hemodinâmicos. Infelizmente, essa modificação da faixa etária da reprodução foi feita a revelia dos ovários e vale lembrar que tudo termina aos 50 anos. Ou seja, aos 50 ou perto disso, termina toda produção de ovócitos.

luiz eduardo machadoDr. Luiz Eduardo Machado
Médico Obstetra – CRM: 4758-BA
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